Tensão entre Estados Unidos e Venezuela
A tensão entre Estados Unidos e Venezuela envolve interesses estratégicos na América Latina e configura um dos principais impasses político-militares da região. Aqui você acompanha, de forma objetiva, os desdobramentos recentes da crise.
Na noite de domingo, 11 de janeiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede social Truth Social uma imagem montada de seu próprio perfil na Wikipedia, na qual é descrito como presidente interino da Venezuela desde janeiro de 2026. A peça, claramente manipulada, foi interpretada como uma provocação direta ao governo interino venezuelano.
O alvo da ironia é o regime liderado por Delcy Rodríguez, que assumiu o comando político na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, por forças americanas na madrugada de 3 de janeiro, em Caracas. Ambos foram levados para Nova York, onde devem responder a processos na Justiça dos Estados Unidos.
Na sexta-feira anterior à publicação, Trump já havia sinalizado uma postura ambígua em relação a Rodríguez. De um lado, afirmou vê-la como aliada circunstancial no atual contexto; de outro, reforçou que Washington não aceitará expansão de influência russa ou chinesa na região. O presidente mencionou ainda planos de se reunir com representantes venezuelanos e de criar um grupo político, ao lado de Marco Rubio e Pete Hegseth, para coordenar a transição de poder em Caracas.
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, adotou um tom mais direto ao declarar que os Estados Unidos continuarão a ditar as principais decisões no país sul-americano durante o período de transição. Em resposta, Delcy Rodríguez nega qualquer interferência externa na condução do governo interino e sustenta a narrativa de que Nicolás Maduro foi sequestrado por forças estrangeiras.
O plano americano para a Venezuela, detalhado por Marco Rubio em 7 de janeiro, está estruturado em três etapas. A primeira prevê a estabilização da ordem interna, com foco em segurança e controle institucional. A segunda etapa contempla a recuperação econômica, ancorada na entrada de empresas ocidentais e em um programa de anistia a opositores do antigo regime. A terceira fase projeta uma transição para eleições futuras, ainda sem calendário definido, sob supervisão internacional ampliada.
A montagem do perfil de Trump na Wikipedia surge nesse cenário de incertezas políticas e diplomáticas. Ao mesmo tempo em que o presidente americano elogia publicamente a cooperação de Rodríguez, a imagem manipulada funciona como gesto de desdém e questionamento à legitimidade de sua liderança. Na versão real da Wikipedia, não há qualquer menção a Trump como presidente interino da Venezuela, o que reforça o caráter provocativo e simbólico da publicação.
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Após a chamada Operação Resolução Absoluta, em que os Estados Unidos realizaram bombardeios coordenados contra instalações militares na Venezuela, Donald Trump afirmou que os EUA assumiriam temporariamente a administração do país até a formação de um governo de transição. Segundo ele, a ação foi suficientemente letal para dispensar uma segunda onda de ataques. Trump também declarou que empresas petrolíferas americanas explorariam as reservas venezuelanas para retomar o fluxo de produção.
Na madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, forças dos Estados Unidos realizaram ataques aéreos em Caracas e em outros estados venezuelanos — Miranda, Aragua e La Guaira — e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que foi levado para fora do país junto com a esposa. A operação foi confirmada pelo presidente Donald Trump.
A escalada de tensões começou em agosto de 2025, quando os Estados Unidos elevaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro. Washington o acusa de chefiar o Cartel de los Soles, classificado como organização terrorista ligada ao narcotráfico, o que passou a enquadrar integrantes do regime como alvos militares legítimos. Desde então, houve envio de navios de guerra e de um submarino nuclear ao Caribe, sobrevoos de bombardeiros B-52 em outubro, uma conversa telefônica sem acordo entre Trump e Maduro em novembro, a inclusão formal do cartel na lista de grupos terroristas e, em dezembro, a apreensão de petroleiros venezuelanos, bloqueio naval, voos rasantes de caças F-18 próximos a Caracas e cerca de 30 bombardeios contra embarcações do narcotráfico, que, segundo os EUA, resultaram em 115 mortos.
O governo venezuelano declarou estado de emergência e acusou os Estados Unidos de bombardear alvos civis e militares. Até o momento, não há relatos oficiais de feridos. Caracas classificou a ação como imperialista, motivada por interesses no petróleo e pela derrubada do regime. Maduro responde a processos em Nova York por conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de cocaína e posse ilegal de armas.
Entre os impactos imediatos estão a alta inicial do preço do petróleo, diante da interrupção da oferta paralela venezuelana, e o aumento da percepção de risco na América Latina, com reflexos nos CDS de países como o Brasil. Analistas apontam, contudo, a possibilidade de queda futura dos preços, caso se confirme a promessa de Trump de normalizar operações petrolíferas americanas na Venezuela, detentora das maiores reservas do mundo. No plano regional, o episódio impõe um dilema diplomático ao governo Lula, que condenou os ataques como violação da soberania e precedente perigoso, além do risco de um novo fluxo migratório pressionar o Norte do Brasil.
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A relação entre Estados Unidos e Venezuela entrou em um novo estágio de tensão no fim de 2025. Em 29 de dezembro, o presidente **Donald Trump** confirmou o primeiro ataque terrestre americano em território venezuelano desde o início da campanha de pressão contra o governo de **Nicolás Maduro**. A operação, realizada em 24 de dezembro, teve como alvo uma área portuária na costa do país, apontada por Washington como ponto de apoio ao narcotráfico.
A escalada teve início em agosto de 2025, quando os Estados Unidos elevaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações que levassem à prisão ou condenação de Maduro. No mesmo período, navios de guerra e um submarino nuclear foram deslocados para o Caribe, sinalizando reforço militar. Em setembro, ocorreu o primeiro ataque contra uma embarcação suspeita de transportar drogas, inaugurando uma série de ações semelhantes no Caribe e no Pacífico. Em outubro, Trump autorizou operações da CIA em território venezuelano, admitiu a possibilidade de incursões terrestres e anunciou a existência de alvos no país; bombardeiros B-52 realizaram voos próximos à Venezuela. Em novembro, uma conversa telefônica entre Trump e Maduro não produziu avanços, e Washington incluiu o Cartel de los Soles — atribuído ao círculo de poder venezuelano — na lista de organizações terroristas.
Em dezembro, a pressão aumentou com a apreensão, no dia 10, de um navio carregado com petróleo venezuelano e o anúncio de um bloqueio a petroleiros sob sanções. No dia 18, caças F-18 americanos sobrevoaram áreas próximas a Caracas, dois deles a menos de 100 quilômetros da capital. Até o fim do mês, os EUA contabilizavam 30 bombardeios contra embarcações suspeitas de narcotráfico.
Segundo Washington, a ofensiva não se limita ao combate às drogas, mas busca conter a influência de potências como Rússia e China em uma região considerada estratégica. Caracas classificou as ações como imperialistas, acusando os EUA de tentar controlar o petróleo venezuelano e derrubar o governo. Em resposta, a Venezuela decretou estado de exceção em setembro, concedeu poderes especiais ao presidente diante de possível agressão externa e prendeu cidadãos norte-americanos ao longo do período.
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