Oriente Médio

O Oriente Médio concentra alguns dos conflitos mais complexos do mundo contemporâneo, envolvendo disputas territoriais, religiosas, políticas e estratégicas. Acompanhe análises e notícias sobre crises, guerras, negociações diplomáticas e seus impactos no mundo.

06/01/2026

No Oriente Médio, persistem os impasses nas negociações de cessar-fogo em Gaza. O plano de três fases, firmado em outubro de 2025, permanece estagnado na primeira etapa. Israel enfrenta forte pressão interna sobre o governo de Benjamin Netanyahu para avançar na retirada de tropas, no desarmamento do Hamas e na desmilitarização da Faixa de Gaza, mas não há previsões concretas de progresso, apesar das mediações conduzidas por Donald Trump com Netanyahu em Mar-a-Lago.

Os mediadores internacionais insistem na transição para a segunda fase do plano, que prevê a criação de um Conselho de Paz e o envio de uma Força Internacional de Estabilização. O Hamas, porém, resiste ao desarmamento total, enquanto Israel mantém bombardeios e condiciona qualquer avanço à desmilitarização completa do território. As tensões são agravadas pelo calendário das eleições legislativas israelenses e pelos desafios de legitimidade e governança enfrentados pela Autoridade Palestina.

Grupos armados como o Hamas, em Gaza, e o Hezbollah, no Líbano, seguem enfraquecidos por sucessivas campanhas militares israelenses e permanecem sob pressão contínua. No Iêmen, os houthis mantêm o controle de áreas no norte do país e alimentam tensões críticas com Israel. Na Síria, as autoridades buscam integrar milícias curdas às estruturas estatais, enquanto a retirada do PKK da Turquia altera o equilíbrio de forças e as dinâmicas regionais.

A região atravessa um processo de transformação profunda após a queda de Bashar al-Assad na Síria, derrubado com apoio turco a grupos jihadistas em Idlib. O país caminha para se tornar um possível protetorado de Ancara sob a liderança de Ahmed al-Sharaa (ex-Al-Julani), que se apresenta como figura moderada e parceira do presidente turco Recep Tayyip Erdogan. Esse rearranjo reduz a presença russa e iraniana na Síria, enquanto Turquia e Arábia Saudita ampliam seu protagonismo regional.

A Turquia assume papel central ao mediar o cessar-fogo em Gaza e expandir sua influência por meio de uma zona-tampão no norte sírio, estendida até as fronteiras com as Colinas de Golã, Jordânia e Israel. Ancara compartilha afinidades ideológicas com a Irmandade Muçulmana e destinou milhões de dólares a organizações em Jerusalém Oriental. Seus laços históricos com o Hamas, antes vistos como fator de tensão, passaram a ser considerados um ativo diplomático pelos Estados Unidos. Ainda assim, a possibilidade de uma força multinacional com presença militar turca em Gaza preocupa Israel, sobretudo diante da perspectiva de um desarmamento apenas parcial do Hamas.

A expansão dos Acordos de Abraão encontra-se paralisada em razão da guerra em Gaza. A Arábia Saudita condiciona qualquer avanço a uma solução concreta de dois Estados para o conflito israelo-palestino, enquanto a Síria rejeita a normalização de relações com Israel devido à disputa pelas Colinas de Golã. Nesse contexto, a normalização se torna politicamente tóxica para diversos governos árabes, que enfrentam forte pressão de suas opiniões públicas.

Israel e Irã travaram um confronto direto em junho de 2025, que se estendeu por 12 dias sem evoluir para uma guerra em larga escala. Apesar da contenção relativa, o programa nuclear iraniano continua sendo percebido por Israel como ameaça existencial. As tensões na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mantêm o risco de novos episódios de escalada militar, inclusive por meio de ataques preventivos ou operações encobertas.

No Iraque, o primeiro-ministro Mohammed Shia' Al-Sudani enfrenta um parlamento fragmentado, forte dependência das receitas de petróleo e a influência persistente de milícias armadas. Esses fatores colocam à prova a transição política iraquiana e dificultam a consolidação de instituições estatais estáveis e autônomas.

A crise humanitária em Gaza permanece aguda. Segundo dados da ONU, mais de 12 mil crianças palestinas estão deslocadas na Cisjordânia, e ao menos 25 pessoas morreram de frio desde dezembro de 2025 por falta de abrigo adequado. Em paralelo, o Knesset aprovou a suspensão do fornecimento de eletricidade e água à UNRWA, agravando ainda mais as condições de vida da população civil. No Curdistão iraquiano, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) alerta para cerca de 1 milhão de deslocados internos, incluindo aproximadamente 101 mil pessoas vivendo em acampamentos, em situação de alta vulnerabilidade.

Fontes:
02/01/2026

Donald Trump ameçou intervir em protestos no Irã, que ocorrem há seis dias, contra a crise econômica. Em resposta, o chefe do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que bases e tropas americanas na região serão alvos legítimos, considerando qualquer ação uma linha vermelha.

No Iêmen, o governo reconhecido internacionalmente, apoiado pela Arábia Saudita, declarou estado de emergência por 90 dias após ataques aéreos da coalizão contra armas em um porto controlado por separatistas, cancelando o pacto de defesa com os Emirados Árabes Unidos e impondo proibições em fronteiras e portos.

Em Israel, o Parlamento aprovou proibição de fornecimento de luz e água à UNRWA, enquanto Netanyahu elogiou Trump por compreendê-los em meio a ataques e anunciou que o Hamas deve entregar armas até final de fevereiro conforme acordo com os EUA; Trump pressionou Netanyahu a mudar políticas na Cisjordânia ocupada devido a ataques de colonos contra palestinos e reiterou o desarmamento do Hamas em Gaza.

Na Síria, a queda de Assad enfraqueceu Rússia e Irã, elevando a influência turca, que apoia grupos jihadistas em Idlib e busca uma zona tampão contra curdos, com potencial de transformar o país em protetorado turco e projetar poder até Israel por meio de uma ponte terrestre desde final de 2024.

Outros destaques envolvem protestos no Irã com sete mortes, população de Gaza reduzida em 10,6 por cento em dois anos, propostas israelenses de pena de morte para palestinos criticadas pela ONU e obstáculos a planos de paz em Gaza para 2026, além de preocupações com novas regras israelenses que podem impedir ONGs como a MSF de atuar na região.

Fontes: