Protestos no Irã em 2026
Os protestos no Irã em 2026 refletem a crise econômica, inflação elevada, desvalorização do rial e impactos de sanções e conflitos recentes. As manifestações, iniciadas no fim de 2025, espalharam-se por várias províncias, com confrontos e repressão estatal.
Os Estados Unidos estão deslocando o porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque do Mar do Sul da China para o Oriente Médio, em um contexto de tensões crescentes com o Irã após o anúncio do fechamento total do espaço aéreo iraniano. A transferência, que deve levar cerca de uma semana para ser concluída, é apresentada como uma realocação estratégica e não como um indicativo de ação militar imediata, embora ocorra em um cenário de forte instabilidade regional.
Essa instabilidade é alimentada por intensa atividade aérea militar no Iraque e por voos de vigilância dos Estados Unidos nas proximidades da costa iraniana. Entre esses voos, destaca-se a detecção, na madrugada de 14 de janeiro, de um drone de vigilância marítima MQ-4C Triton operando próximo ao território iraniano, o que reforça a percepção de monitoramento constante da região por parte de Washington.
No plano político, o presidente Donald Trump tem adotado uma retórica de forte pressão sobre Teerã. Ele ameaçou adotar medidas "muito duras" caso o Irã execute manifestantes, como o jovem Erfan Soltani, detido durante protestos contra o regime. Trump também tem incentivado publicamente as manifestações no país, afirmando que "ajuda está a caminho", em referência a possíveis ações econômicas ou militares, e citando como exemplo operações anteriores, como o bombardeio de instalações nucleares iranianas em junho de 2024, conduzido por bombardeiros furtivos B-2.
Analistas destacam que os Estados Unidos mantêm uma presença militar robusta no Oriente Médio, incluindo cerca de 10 mil soldados na base aérea de Al Udeid, no Catar. No entanto, um recente reposicionamento de forças na região teria reduzido a prontidão para um ataque imediato, com a evacuação parcial de pessoal do Catar como medida de precaução. Entre as opções de alvos em um eventual confronto, são mencionadas instalações petrolíferas estratégicas e estruturas ligadas à cúpula do regime iraniano, que poderiam ser atingidas por mísseis de longo alcance.
Os movimentos navais e a intensificação das operações aéreas são interpretados como sinais de preparação para um possível confronto, compondo um quadro de dissuasão e pressão militar sobre o Irã. Até o momento, porém, não há confirmação de que operações ofensivas estejam em curso, e o deslocamento do USS Abraham Lincoln é oficialmente tratado como parte de um ajuste estratégico mais amplo da postura militar norte-americana na região.
Fontes:A Justiça do Irã negou, nesta quinta-feira, que o manifestante Erfan Soltani, detido durante a recente onda de protestos no país, tenha sido condenado à pena de morte. O jovem, de 26 anos, foi preso em sua residência na cidade de Karaj na quinta-feira anterior e responde a acusações de propaganda contra o regime e de ameaça à segurança nacional.
O caso ganhou ampla repercussão internacional após a ONG Hengaw divulgar que a execução por enforcamento estaria marcada para a quarta-feira seguinte, mas teria sido adiada. A Anistia Internacional e o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmaram dispor de informações indicando que se trataria da primeira execução de um manifestante ligada à atual onda de protestos. Em resposta, o governo iraniano declarou que Soltani não foi condenado à morte e que, se for considerado culpado, receberá apenas pena de prisão, já que a pena capital não se aplicaria aos crimes imputados a ele.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se manifestou sobre o episódio, dizendo ter recebido informações de fontes consideradas confiáveis de que não há planos para novas execuções no Irã e de que a matança estaria diminuindo. Em entrevista à emissora Fox News, o ministro das Relações Exteriores iraniano negou que o governo esteja planejando execuções relacionadas aos protestos.
Apesar das negativas oficiais, relatos anteriores indicavam que Soltani teria sido condenado com base na acusação de Moharebeh, frequentemente traduzida como “inimizade contra Deus” ou “guerra contra Deus”, tipificação penal pela qual o Irã é conhecido por executar centenas de pessoas. De acordo com a ONG Iran Human Rights, forças de segurança iranianas mataram pelo menos 3.428 manifestantes durante os recentes protestos e prenderam mais de dez mil pessoas, embora a organização ressalte que o número real de mortos e detidos provavelmente seja significativamente maior.
Fontes:Donald Trump anunciou nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, a suspensão de todas as reuniões e canais de diálogo com autoridades iranianas, condicionando qualquer retomada de contato ao fim da repressão violenta contra manifestantes que participam dos protestos iniciados em 28 de dezembro de 2025 no Irã.
Em publicação na rede Truth Social, o ex-presidente dos Estados Unidos incentivou os manifestantes iranianos a manterem os atos e a buscarem o controle das instituições do país. Ele afirmou que “a ajuda está a caminho” e utilizou a sigla MIGA, de Make Iran Great Again, conclamando ainda que sejam guardados os nomes dos responsáveis pela “matança”.
A nova declaração marca uma inflexão em relação ao tom adotado por Trump no domingo anterior, quando havia mencionado a possibilidade de negociações após contatos com o governo iraniano, ao mesmo tempo em que ameaçava uma ação militar em resposta à violência contra os protestos. Na segunda-feira, ele já havia elevado a pressão ao impor uma tarifa de 25% a países que mantivessem negócios com Teerã.
De acordo com dados oficiais citados por veículos como a Gazeta do Povo, o número de mortos nos protestos chegou a cerca de 2 mil pessoas. A repressão tem envolvido o uso de armas de fogo, gás lacrimogêneo e bloqueios de internet. Até esta terça-feira, a comunicação telefônica internacional estava amplamente interrompida, sendo apenas parcialmente restabelecida, o que contribuiu para deixar as ruas praticamente desertas, sob forte presença policial.
O líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, tem classificado os manifestantes como “sabotadores”, enquanto, em Washington, Trump se reúne com sua equipe de segurança nacional para avaliar diferentes cenários de resposta. Entre as opções em discussão estão ações militares diretas, operações cibernéticas e ataques com mísseis. Paralelamente, uma organização não governamental informou que foi marcada para quarta-feira a primeira execução de um manifestante detido durante os atos.
A repressão no Irã e a escalada de tensão internacional têm provocado reações de diversos governos. França, Alemanha e Itália, além do secretário-geral da Otan, criticaram publicamente a violência contra os protestos. O Qatar, por sua vez, advertiu para o risco de uma escalada regional, em um contexto já sensível após recentes ataques dos Estados Unidos contra alvos no Irã e na Venezuela.
Fontes:O número mais recente de mortos nos protestos no Irã, atualizado neste domingo, 11 de janeiro de 2026, é de pelo menos 544 pessoas, segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), organização de direitos humanos com sede nos Estados Unidos que monitora a situação no país. De acordo com a entidade, o balanço inclui 490 manifestantes e entre 47 e 48 policiais ou integrantes das forças de segurança, além de um volume expressivo de prisões.
Ainda segundo a HRANA, mais de 10.600 a 10.681 pessoas teriam sido detidas em quase duas semanas de manifestações, iniciadas em 28 de dezembro. Os protestos começaram como reação ao aumento de preços, mas rapidamente passaram a ter como alvo o regime do aiatolá Ali Khamenei, ampliando o caráter político das mobilizações e a resposta repressiva do Estado.
Outras fontes apresentam números diferentes. O grupo norueguês Direitos Humanos do Irã divulgou inicialmente um total menor, de 45 mortos, incluindo oito crianças. Atualizações recentes de organizações não governamentais, como o Centro para os Direitos Humanos no Irã, porém, sugerem um cenário potencialmente muito mais grave, com relatos de corpos amontoados em hospitais e estimativas não confirmadas que chegam a apontar para até duas mil vítimas.
A dificuldade em obter dados precisos decorre, em grande parte, do bloqueio de comunicações. O corte da internet em todo o país, que já dura mais de 72 horas, impede a circulação de imagens, depoimentos e registros independentes, dificultando a verificação das informações e a consolidação de um balanço confiável sobre mortos, feridos e desaparecidos.
O governo iraniano não divulga balanços oficiais regulares sobre vítimas e prisões. Em vez disso, autoridades de Teerã acusam os Estados Unidos e Israel de instigarem os protestos por meio de infiltrados armados e de conduzirem uma campanha de desestabilização. Paralelamente, a repressão foi intensificada, com relatos de disparos contra manifestantes em mais de cem cidades, segundo ativistas e veículos de imprensa ocidentais.
Entre as principais vozes do regime, o chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, e o líder supremo, Ali Khamenei, classificaram as manifestações como atos de sabotagem orquestrados por potências estrangeiras. O presidente Masoud Pezeshkian, por sua vez, adotou um discurso ambíguo: defendeu a necessidade de diálogo com a população, mas ao mesmo tempo alertou para a presença de supostos terroristas entre os manifestantes.
O Parlamento iraniano também elevou o tom, ameaçando atacar bases americanas na região em caso de intervenção externa direta. Esse tipo de retórica reforça o enquadramento oficial dos protestos como parte de um conflito geopolítico mais amplo, e não como expressão de descontentamento interno com a situação econômica e política do país.
As manifestações ocorrem em um contexto de forte fragilidade interna. O Irã enfrenta os efeitos da recente guerra com Israel, sanções nucleares impostas pela ONU e uma crise econômica prolongada, marcada por inflação elevada, desemprego e perda de poder de compra. Nesse cenário, multiplicam-se relatos de incêndios em diferentes pontos de Teerã, bem como de prisões de menores de idade durante as operações de repressão.
Diante da combinação de censura, bloqueio de internet e ausência de dados oficiais transparentes, o quadro exato de mortos, feridos e detidos permanece incerto. Organizações de direitos humanos alertam para o risco de um massacre em curso e insistem na necessidade de acesso independente ao país para monitoramento, documentação das violações e responsabilização das autoridades envolvidas.
Fontes:Os protestos que tomaram as ruas do Irã no final de dezembro de 2025 chegaram ao quinto ou sexto dia, impulsionados por uma crise econômica profunda, marcada pela desvalorização histórica do rial, inflação elevada e forte aumento do custo de vida, cenário agravado pelas sanções internacionais e pela guerra contra Israel em junho do mesmo ano.
Até quinta-feira, 1º de janeiro, ao menos sete pessoas haviam morrido em confrontos em cidades como Lordegan, Azna e Kuhdasht. Manifestantes lançaram pedras contra a polícia, incendiaram veículos e prédios públicos, resultando em feridos entre civis e forças de segurança, além da morte de um integrante da milícia Basij. Organizações de direitos humanos, como a Hengaw, afirmam que as vítimas eram manifestantes, enquanto a agência estatal Fars atribui as mortes a grupos armados.
As mobilizações começaram com o fechamento de bazares em Teerã, em 28 de dezembro, ganharam adesão de estudantes e se espalharam por centros urbanos como Isfahan, Kermanshah, Fasa e Marvdasht. Os atos foram marcados por palavras de ordem contra o líder supremo e até por pedidos de restauração da monarquia.
O presidente Masoud Pezeshkian sinalizou disposição para o diálogo e reconheceu a legitimidade das queixas econômicas, mas a polícia afirmou que irá conter o que classifica como caos, tendo efetuado cerca de 50 prisões em locais como Kuhdasht e Malard. O governo reforçou a segurança na capital, o procurador-geral prometeu uma resposta dura a novas instabilidades e o presidente do parlamento chegou a mencionar bases dos Estados Unidos como possíveis alvos em caso de intervenção externa. O Departamento de Estado americano, por sua vez, condenou a repressão.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram desde grandes concentrações pacíficas em áreas como a rua Lalehzar até o uso de gás lacrimogêneo e munição real pelas forças de segurança, além de greves em mercados. A participação é considerada a mais ampla desde os protestos de 2022.
Fontes:Uma onda de protestos intensos no Irã, iniciada no final de dezembro de 2025, continua ativa em várias províncias, motivada principalmente pela grave crise econômica, com inflação acima de 40% ao ano, desvalorização do rial pela metade em 2025 e alto custo de vida agravado por sanções americanas desde 2018 e uma guerra recente contra Israel em junho. Os atos, os maiores desde as manifestações de 2022 pela morte de Mahsa Amini, começaram com comerciantes fechando bazares em Teerã no dia 28 ou 29 de dezembro, ganhando apoio de estudantes e se espalhando para cidades como Kuhdasht, Lordegan e Azna, onde ocorreram confrontos violentos com polícia e forças paramilitares Basij.
Pelo menos sete mortes foram registradas até quinta-feira 1º de janeiro de 2026, incluindo um paramilitar na quarta-feira 31 em Lorestan, duas pessoas em Lordegan e três em um ataque a uma delegacia em Azna, com dezenas de feridos, incêndios de carros, pedras atiradas contra prédios governamentais e relatos de manifestantes armados, segundo mídia estatal como Fars e Tasnim. Autoridades prenderam ao menos 50 pessoas por perturbação da ordem, enquanto o governo de Masoud Pezeshkian abriu diálogo oficial, reconhecendo as demandas por dificuldades no sustento, mas os protestos escalaram com slogans contra o regime teocrático de Ali Khamenei.
Nesta sexta-feira 2, Donald Trump alertou no Truth Social que os EUA intervirão se o Irã matar manifestantes pacíficos, afirmando estar pronto para agir, o que levou o chefe do parlamento iraniano, Ghalibaf, a declarar bases e tropas americanas na região como alvos legítimos, acusando inteligência estrangeira de instigar violência e vendo qualquer intervenção como linha vermelha. O Departamento de Estado dos EUA expressou preocupação com repressão, intimidação e prisões, apoiando os iranianos em postagens em farsi.
Fontes: