03/11/2026 · História Geral

Enquanto Karl Bushby caminhava, o mundo se transformava.

De 1998 a 2026, o britânico atravessou quatro continentes a pé. Enquanto ele andava, o mundo ganhou o Google, viveu o 11 de Setembro e a pandemia e viu chegar a inteligência artificial.

Em 1998, Karl Bushby saiu de Punta Arenas, no Chile, para tentar uma façanha que poucos considerariam razoável: dar a volta ao mundo a pé e retornar à Inglaterra sem utilizar qualquer meio de transporte para completar o percurso. Era um ex-militar britânico de 29 anos. A viagem, que deveria durar alguns anos, acabou se estendendo por quase três décadas.

No dia 2 de novembro de 2026, aos 57 anos, ele chegou a Hull, sua cidade natal, no norte da Inglaterra, com uma quilometragem de 50 mil km percorridos. Na jornada, o andarilho atravessou quatro continentes e passou por aproximadamente 30 países. Foram muitos os desafios, todos vencidos com a força dos próprios músculos, como era o propósito inicial. Bushby atravessou desertos, subiu montanhas, andou por regiões congeladas, enfrentou animais selvagens e fenômenos climáticos extremos. E, como se não bastasse, precisou lidar com problemas de vistos, fronteiras fechadas e dificuldades diplomáticas. Em alguns momentos, relata, ficou meses ou anos sem conseguir avançar.

Bushby começou sua caminhada em 1998. Naquele ano, o Google estava nascendo e a internet ainda era novidade para muita gente. Os celulares, você deve lembrar, serviam basicamente para fazer ligações. Durante os primeiros anos da viagem, nenhuma dessas tecnologias que hoje fazem parte do nosso dia a dia, como aplicativos de navegação ou redes sociais, existia ou era tão comum. Para planejar uma rota, encontrar informações sobre um país ou mesmo manter contato com familiares, ele precisava de recursos bem diferentes dos atuais.

O mundo mudou muito enquanto Karl Bushby caminhava. E as transformações não ficaram restritas à tecnologia. Quando ele partiu, a União Soviética tinha deixado de existir havia apenas sete anos. Os Estados Unidos viviam o auge de sua predominância internacional, e a globalização avançava e, com ela, a expectativa de uma integração cada vez maior entre os países.

Quando aconteceram os atentados de 11 de setembro de 2001, fazia menos de três anos que Bushby caminhava pelo mundo. Então, vieram as guerras no Afeganistão e no Iraque, a ascensão da China, a crise financeira de 2008, as revoltas da Primavera Árabe e elas: a pandemia e a guerra na Ucrânia. Para ele, que andava por aí atravessando fronteiras, essas mudanças tinham consequências práticas: alteração das regras de entrada em determinados países, restrições, isolamento social... imagina!

A economia também mudou durante o percurso. Quando ele saiu do Chile, a Amazon ainda era conhecida como uma livraria virtual relativamente jovem. O comércio eletrônico não tinha a dimensão atual. Enquanto Bushby percorria países e continentes, surgiam novas formas de comprar, vender, trabalhar e movimentar dinheiro. Nem existiam as contas digitais que hoje funcionam em qualquer país.

Bem, e quanto à inteligência artificial? Em 1998, ela estava distante de qualquer aplicação cotidiana para a maioria das pessoas. Em 2026, sistemas de IA dominam nossas vidas, produzem textos e imagens, traduzem idiomas, analisam informações e auxiliam decisões em diferentes áreas. Uma tecnologia que parecia assunto de ficção científica passou a integrar ferramentas de trabalho e serviços utilizados diariamente. Que seria de nós sem o ChatGPT, que tem nos deixado tão mal-acostumados e preguiçosos?

A viagem de Bushby oferece uma perspectiva pouco comum sobre essas transformações. Ele viveu os últimos 28 anos atravessando países, dependendo de suas estruturas, enfrentando suas fronteiras e se adaptando às condições de cada lugar. Enquanto o mundo se transformava, sua jornada também era afetada por essas mudanças.

A experiência de Karl Bushby é uma maneira interessante de medir o tempo. Para ele, foi contado em passos, quilômetros, fronteiras e dias de caminhada, como uma testemunha em movimento da História. E quanto a nós, como tudo isso nos impactou?


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