No capítulo anterior, vimos que a Palestina otomana reunia comunidades religiosas, cidades, aldeias e vínculos regionais diversos. Agora, o objetivo é compreender como essa sociedade foi alcançada por três forças políticas dos séculos XIX e XX: os nacionalismos, o antissemitismo moderno e a disputa entre impérios. Esse quadro explica o surgimento do sionismo político, o desenvolvimento das identidades árabe e palestina e as promessas contraditórias feitas durante a Primeira Guerra Mundial.
O nacionalismo na era dos impérios
O nacionalismo é a doutrina segundo a qual uma comunidade definida como nação deve possuir unidade política, autonomia ou um Estado próprio. Ele ganhou força na Europa após a Revolução Francesa de 1789 e acompanhou processos como as unificações da Itália, concluída em 1870, e da Alemanha, em 1871.
O historiador Benedict Anderson definiu as nações como comunidades políticas imaginadas. Isso não quer dizer que sejam falsas. Significa que seus integrantes, embora nunca conheçam a maioria dos compatriotas, imaginam compartilhar uma história, símbolos e um destino comum. Escolas, jornais, mapas, censos e exércitos ajudaram a produzir esse sentimento.