O capítulo anterior mostrou como o sionismo e o nacionalismo árabe surgiram no contexto dos impérios e da política europeia do século XIX. Agora, veremos como a administração britânica transformou esses projetos nacionais em uma disputa direta por imigração, terra, trabalho e poder político. Entre 1917 e 1947, decisões tomadas em Londres ajudaram a criar instituições rivais na Palestina e deixaram um conflito que o próprio Reino Unido já não conseguia administrar.
Promessas britânicas e interesses imperiais
Durante a Primeira Guerra Mundial, o governo britânico assumiu compromissos diferentes com árabes, franceses e sionistas. Na correspondência Hussein-McMahon, de 1915–1916, autoridades britânicas negociaram o apoio de Hussein ibn Ali, xerife de Meca, a uma revolta árabe contra o Império Otomano. A delimitação territorial prometida permaneceu ambígua, especialmente quanto à Palestina.
Ao mesmo tempo, o acordo secreto Sykes-Picot, de 1916, planejava dividir áreas árabes do Império Otomano em zonas de influência britânica e francesa. Em 2 de novembro de 1917, o secretário britânico das Relações Exteriores, Arthur James Balfour, enviou uma carta a Lionel Walter Rothschild, figura de destaque da comunidade judaica britânica. A Declaração Balfour apoiava o estabelecimento, na Palestina, de um lar nacional para o povo judeu. O documento também afirmava que não deveriam ser prejudicados os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas do território.