No capítulo anterior, vimos como guerras, ocupação e resistência transformaram o território e a vida política de israelenses e palestinos. Agora, o objetivo é compreender as duas Intifadas, os Acordos de Oslo e a criação da Autoridade Palestina. Esse percurso ajuda a explicar por que um processo celebrado em 1993 terminou sem resolver fronteiras, assentamentos, Jerusalém, refugiados e segurança — justamente os temas que decidiriam se haveria, de fato, um Estado palestino.
A Primeira Intifada e a crise da ocupação
Intifada é uma palavra árabe associada à ideia de levante ou insurreição. A Primeira Intifada começou em dezembro de 1987, no campo de refugiados de Jabalia, na Faixa de Gaza, após um acidente de trânsito envolvendo um veículo militar israelense e trabalhadores palestinos. O episódio funcionou como estopim de tensões acumuladas desde a ocupação israelense de Gaza, da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, iniciada em 1967.
O movimento, que se estendeu até 1993, reuniu manifestações, greves, boicotes a produtos israelenses, recusa ao pagamento de impostos e enfrentamentos com pedras. Redes comunitárias organizaram escolas improvisadas, distribuição de alimentos e assistência às famílias. Embora a Organização para a Libertação da Palestina, a OLP, atuasse a partir do exterior, boa parte da mobilização nasceu dentro dos territórios ocupados.