No capítulo anterior, vimos como o tecnicismo tratou o ensino como uma atividade planejada para produzir resultados mensuráveis. Agora estudaremos uma resposta radicalmente diferente: a pedagogia libertadora de Paulo Freire. O objetivo é compreender sua trajetória, relacionar suas experiências aos conceitos de diálogo, conscientização, temas geradores e círculos de cultura, além de distinguir educação bancária e educação problematizadora. Essa distinção aparece com frequência em concursos, muitas vezes acompanhada de uma pegadinha: pedagogia libertadora e pedagogia libertária não são sinônimos.
Paulo Freire em seu contexto histórico
Paulo Reglus Neves Freire nasceu no Recife, em 1921. Formou-se em Direito, mas desenvolveu sua carreira no campo da educação. Trabalhou no Serviço Social da Indústria, o SESI, em Pernambuco, e participou de iniciativas de educação popular em um Brasil marcado por altas taxas de analfabetismo e fortes desigualdades sociais.
No início da década de 1960, movimentos populares, sindicatos, organizações estudantis, setores da Igreja Católica e governos locais promoveram campanhas de educação de adultos. A alfabetização tinha uma dimensão política concreta: pela legislação da época, pessoas analfabetas não podiam votar. Ensinar adultos a ler e escrever também significava ampliar sua possibilidade de participação na vida pública.